Personagens

 

Os heróis vernianos caracterizam-se pelo desejo de fazer o levantamento topográfico da Terra, a descoberta dos sítios inexplorados, a vontade de alcançar o fim do mundo para ir plantar a bandeira da sua pátria ou um farol; de alcançar o centro da Terra, de descobrir a origem do universo, ou o seu fim.

Os heróis de Júlio Verne sonham no interior de um mundo cujos limites são bem determinados.

 

Poderemos então citar, algumas semelhanças entre os heróis nas diversas obras das Viagens Extraordinárias.

 

 

Na maioria eles são:

Precisos e pontuais

Cultos e determinados

Extremamente patriotas

Excêntricos e misteriosos

Consistentes e resistentes

Poliglotas e com uma esperteza acima da média

Muito honrados, preferindo perder a vida à honra

Solteiros, sem tempo para as mulheres, preferindo seguir em frente com as suas aventuras

 

 

Irá agora conhecer mais detalhadamente as personagens de algumas obras Vernianas:

 

Phileas Fogg

Fogg nunca ri, nunca se descontrola, nunca perde o norte. Para um homem calmo e metódico como Phileas Fogg, que nunca se apressa, porém nunca chega atrasado, não existem adversidades que não possam ser ultrapassadas. Tudo é uma questão de cálculo e organização. Tão polido, exacto e refinado, que o seu anterior criado James Forster, havia sido despedido por ter trazido a água para barbear 4ºC abaixo da temperatura correcta.

Phileas é um excêntrico inglês, capaz mesmo de apostar metade de sua fortuna em uma aposta impossível para a época, 1872: dar a volta ao mundo em apenas 80 dias!

Fogg continua na sua pose fleumática enquanto o mundo se desmorona à sua volta. Não se mexe, imperturbável, concentrado em vencer a aposta. Conseguirá dar a volta ao mundo em 80 dias? Mas Fogg é surpreendente. E corajoso. E rico (neste caso, talvez só se possa ser tão corajoso se se for tão rico). Quando vê que a linha do comboio não está terminada, em vez de ir a pé, compra um elefante. Quando Passepartout é raptado pelos índios, monta-se a cavalo e vai salvar o dedicado servidor.

O seu percurso foi o seguinte: de Londres para Suez, no Egipto (comboio e paquete: 7 dias) , e daí para Bombaim (paquete: 13 dias); atravessou a Índia de comboio e, de Calcutá (comboio: 3 dias), viajou de barco para Hong Kong (paquete: 13 dias). A partir daí partiu para Iocohama, no Japão (paquete: 6 dias), de onde saltou para São Francisco (paquete: 22 dias). As últimas etapas levaram-no a Nova Iorque (comboio: 7 dias) e, por fim, a Londres (paquete e comboio: 9 dias). Total? 80 dias e uma volta ao mundo.

Que trouxe Fogg desta longa viagem (terá vencido?), senão cansaço, atribulações, histórias para contar e pouco dinheiro de sobra? "Nada, dirá o leitor?", pergunta Jules Verne. E responde: "Talvez; nada a não ser uma mulher encantadora, que, por mais estranho que pareça, fez dele o mais feliz dos homens! Muito francamente, quem não daria a volta ao mundo por muito menos?"

 

Capitão Nemo

Representou talvez o primeiro dos heróis malditos da actualidade. É o herói estrangeiro, o príncipe indiano Dakkar renegado, esteta, cientista e misantropo que viu morta a sua família e esmaga o colonialismo Inglês e, por uma questão de princípio, todo e qualquer outra forma de colonialismo.

" ...apesar de sua grande fortuna, não se deixou seduzir pelas atracões do mundo. Jovem e belo, permaneceu sempre sério, dominado pelo desejo de aprender tudo e por implacável sentimento escondido no fundo do coração. Odiava a Inglaterra, onde jamais pisara, e que oprimia seu país."

Voltando à Índia, na época possessão inglesa, chefiou revoltas e combates ao poder ali instalado, sendo considerado pela Coroa um fora-da-lei, perseguido e caçado. Seu movimento foi sufocado e ele, desgostoso com a civilização "desapareceu, com vinte companheiros fiéis" - a futura tripulação do Nautilus.

Literalmente o vocábulo latino Nemo significa ninguém, que não vem de nenhuma parte, sem objectivo pessoal, fora da sociedade civilizada que ele rejeitava, e aparentemente não possuiu nenhuma identidade particular. Na realidade, Nemo se funde na água e se dissolve na totalidade do mar do globo. Nemo é portanto um personagem humano, irredutível no seu desejo de independência mas que pode também se transformar num monstro frio, encarnando assim os efeitos dramáticos da ciência a serviço do poder. Aliás, na sua fortaleza submarina, tudo possuía a marca desta independência: o capitão Nemo tinha como lema do Nautilus a expressão latina Mobilis in Mobili, ou seja, móvel num elemento móvel. Nemo era totalmente livre, era e é ainda a personificação do ser humano, mestre de si e do seu destino.

Nemo, uma personagem enigmático, era um apaixonado pelo mar, que percorre o mundo submarino sem sentir nenhuma nostalgia pela terra firme. Muito pelo contrário, odeia todo o mundo à superfície e apesar da sua alegação de que os problemas do mundo não lhe interessam, ele às vezes interfere nestes assuntos, sempre a favor dos oprimidos . Por este motivo, o capitão Nemo é uma pessoa que às vezes agrada e outras desagrada, pois detesta as guerras, mas por destruir todo o tipo de barcos de combate, às vezes provoca vítimas inocentes. É um homem certamente contraditório e estranho.

Volta a renascer, depois de sugado pelo vórtice do Maelstrom, em "A Ilha Misteriosa" (1868), onde ficamos a conhecer um pouco mais do seu passado, e onde dá uma mãozinha a uns quantos náufragos que se dedicam a reconstruir a partir de quase nada, toda a maravilhosa civilização do séc XIX.

No esboço inicial de Vinte Mil Léguas Submarinas, Nemo era um nobre polaco cuja família tinha sido brutalmente assassinada pelos russos durante a Revolta de Janeiro de 1863. Uma vez que a França tinha recentemente assinado uma aliança com a Rússia tzarista, para a versão final do livro, Hetzel pediu que Verne ocultasse esse facto; por isso, no livro, os motivos da revolta de Nemo são obscuros, e apenas em A Ilha Misteriosa seriam revelados aos leitores.

 

Michel Strogoff

Michel Strogoff, 30 anos, um corpo de ferro, coração de ouro, capaz de suportar até aos últimos limites o frio, a fome, a sede e a fadiga. Nascido e criado na Sibéria, habituado a percorrer as estepes com o pai, caçador, conhecedor a fundo do território e dos variados idiomas das diferentes etnias que o habitam, Miguel é o homem certo para a missão quase impossível de que o incumbiam.

Ao longo de mais de 300 páginas, o leitor acompanhará as aventuras e as desventuras de Michel Strogoff por uma Sibéria que, à medida que este avança para Oriente, se vai cravando de obstáculos para o nosso intrépido correio.

Se o leitor é levado a simpatizar com a coragem quase sobrenatural de Michel Strogoff e a cumplicidade heróica da bela Naida, não há como não detestar os grandes vilões do romance: o traidor Ivan Ogareff, a sua espia e cúmplice, a perversa cigana Sangarra e o cruel emir Féofar-Cã.
Ao dedicado patriotismo de Michel Strogoff, capaz de tudo para salvar a Rússia das garras dos tártaros, contrapõe Júlio Verne a crueldade extravagante de Féofar-Cã, "um homem de quarenta anos, alto, rosto pálido, olhar feroz e fisionomia cruel" que dispõe a seu capricho da vida dos seus vassalos.

 

Otto Lidenbrock

Otto Lidenbrock é apresentado como um homem rigoroso, parco em elogios e afectos, que, como quase todos os sábios, esquece as necessidades básicas sempre que uma nova conquista científica surge no horizonte. O seu gabinete é descrito como “um museu” e é aqui que vai tentar decifrar um velho documento de um alquimista islandês do século XVI, Arne Saknussemm.

Professor Lindenbrock, ao longo da obra, nunca se escusava a dar-nos umas quantas dezenas de lições de paleontologia e geologia aplicada, rumo a essa terra oca, cheia de um mar interior, povoada de fósseis vivos, manadas de mamutes e trogloditas quanto baste. A narrativa encontrava-se dividida em três personagens principais, o cientista modelo, o herói atlético modelo, e o jovem ingénuo com quem o público leitor podia identificar-se e a quem era necessário explicar tudo.

 

Dick Sand

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A vontade de completar a carga do baleeiro, cuja pescaria não tinha corrido ao nível da fama a que se habituaram os colaboradores do capitão Hull, levaram os homens a arriscar muito. Aproximaram-se demasiado de uma baleia com uma cria e ela, indomável, acabou com eles.

Aos 15 anos, qualquer um se sente herói, mas Dick Sand teve de o ser. Transformou-se, nesse instante, em capitão, contramestre e marinheiro. Em suma, toda a tripulação era ele, um mero praticante. Contava com a força de cinco negros que havia recolhido de um naufrágio, mas que nada sabiam de mar.

Abandonado à nascença, o rapaz ficara ligado à família Weldon, proprietária de uma frota importante de baleeiros. O rapaz tinha um “ar vivo e sério ao mesmo tempo, atraía a atenção de toda a gente; não dissipava gestos nem palavras, como fazem geralmente os rapazes da sua idade”. Adorava geografia e dava tudo para estar sempre em viagem. “Em poucas palavras, tinha 15 anos e pensava como se tivesse 30. Tal era Dick Sand”, resume Júlio Verne.

 

Robur "O Conquistador"

Robur é um intrépido e enigmático engenheiro que tem uma nobre missão: “Dentro de mim há um homem. Aquele que declarou guerra contra a guerra. Este é o meu propósito, acabar para sempre com o flagelo da guerra.”


E assim Robur, inventor idealista e fascinado pela conquista do ar, procurou cumprir o seu objectivo, obrigar as nações a acabar com as guerras, mesmo que fosse necessário o uso de violência e destruição. Inicialmente afundou um navio de guerra americano em alto mar, depois indo para a Europa, bombardeou frotas de navios ingleses em Londres, passando por Paris, Madrid, destruindo arsenais e exércitos, e até atacando dois exércitos primitivos inimigos que lutavam numa batalha na África, virando manchetes pelos principais jornais ao redor do mundo.

 

Jacques Paganel

Jacques Paganel és um dos principais protagonistas de "Os filhos do capitão Grant". É geógrafo de profissão, secretário da Sociedade de geografia de Paris e membro correspondente de diversas sociedades geográficas à volta do mundo. Depois de ter sido professor, decide fazer uma viagem até à Índia, mas devido à sua elevada distracção acaba por entrar no “Duncan” (que seguia para a Patagónia), quando o seu verdadeiro objectivo era a Índia. Apesar de muito inteligente e pró-activo, acaba por estudar português em vez do espanhol. Achava, pois, muito estranho que os nativos não compreendessem o que dizia. Afinal tinha lido “Os Lusíadas" e aprendido português. Apesar disso, Paganel prova ser um importante membro no grupo da procura do capitão. A sua interpretação de documentos é vital para o desenrolar da história; ele também fornece numerosas referências geográficas e é uma constante fonte de humor.

Ele é alto, seco e magro, um homem de boa aparência, com cerca de quarenta anos de idade, e assemelha-se a um prego comprido com uma grande cabeça. A sua cabeça é larga e forte, a sua testa alta, o nariz alongado e o seu queixo muito convexo. Os seus olhos são escondidos por uns enormes óculos redondos, e o seu olhar tem uma particular indecisão dos nictalopes, que faz com que veja mal de dia e melhor à noite. É evidente da sua fisionomia que é um homem alegre, inteligente; não tem aquela expressão de indivíduos que nunca riem, e que cobrem o seu vazio com uma máscara de seriedade. Longe disso. A sua delicadeza, o seu cuidado, o seu ar bem-humorado, e maneiras comuns, mostram claramente que sabe como tirar o melhor proveito do lado bom das pessoas e coisas. Mas apesar de não abrir a boca, dá a impressão de ser um bom falador, apesar de ser uma daquelas pessoas que não vêem o que olham e que não ouvem o que escutam. Usa um chapéu de viagem, e calça umas fortes e altas botas amarelas de couro. As suas calças e casaco são castanhas, e as suas inúmeras algibeiras pareciam cheias de calepinos, de agendas, de blocos de apontamentos, carteiras, e de mil objectos igualmente embaraçosos e inúteis, para não falar no pequeno óculo de longo alcance que trazia a tiracolo.

 

John Hatteras

Homem de paixões frias e com um carácter obstinado, Hatteras era conhecido por nunca recuar e estar sempre disposto a “arriscar a vida alheia com tanta convicção e firmeza como a própria”. O que ele, acima de tudo, ambicionava era guardar para os seus compatriotas ingleses o “monopólio dos descobrimentos geográficos”. No entanto, para seu desespero, os ingleses pouco tinham feito em relação a descobertas. Chegar ao Pólo Norte era, por isso, o “supremo fim da sua vida”.

 

Pedro Aronnax

Pedro Aronnax, o professor quadragenário de História Natural do Museu de Paris, no livro "Vinte Mil Léguas Submarinas", é marcante. É um especialista de mineralogia, de botânica e de zoologia. Onde quer que esteja, ele fornece sempre uma explicação detalhada sobre tudo o que o cerca. É o autor de uma obra de sucessos, Os Mistérios dos Grandes Fundos Submarinos, e terá a ocasião, com Conselho, de mostrar os seus conhecimentos de ictiologia.


 

Cyrus Smith

Cyrus Smith, o engenheiro ferroviário e oficial do exército da União, de "A Ilha Misteriosa", é um personagem determinado e que passou muitos apuros sem perder sua integridade. É um exemplo de homem culto, nobre, corajoso, devotado (qualidade muito comum em protagonistas nas obras de Verne) e preocupado com a humanidade e com o seu país, homem prático e inexequível. É um verdadeiro resumo de todo o conhecimento científico e técnico que permite aos colonos estabelecerem uma mini-civilização prosperando na isolamento do resto do mundo. Graças a ele, a ilha vai sendo conquistada passo a passo, apesar de por vezes este se irritar pelo fato da colónia estar a ser ajudada misteriosamente muitas vezes por um benfeitor que se recusa a revelar, fazendo com que as suas próprias realizações pareçam menos significativas.

 

Por enquanto, apenas temos a descrição de algumas personagens, mas brevemente e com a sua ajuda teremos mais.

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